terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ao fim de 9 anos que futuro?

Realizou-se no passado dia 3 de Fevereiro uma sessão ordinária da Assembleia Municipal de Sesimbra onde foi aprovado, por maioria de votos, o Plano de Pormenor da Zona Norte da Mata de Sesimbra (PPZNMS) e a revogação de algumas normas do Regulamento do Plano Diretor Municipal com efeitos restringidos ao âmbito territorial do PPZNMS.
Desde 2003, altura em que a Câmara Municipal de Sesimbra deliberou a elaboração do Plano de Pormenor da Zona Norte da Mata de Sesimbra, que continuamos a despender tempo, recursos e dinheiro num projecto que dificilmente avançará nos termos em que está projectado e a avançar não será certamente no curto prazo, aliás, foi admitido pelos próprios promotores que se trata de um projecto a médio prazo e que pela suas características demorará pelo menos 10 anos.
A acrescer a este facto, começa a verificar-se a incerteza da viabilidade deste projecto colocando em causa se o seu real destino será turístico ou residencial? Não esqueçamos a quantidade de casas que estão neste momento desabitadas no nosso concelho porque não existe procura, levando muitas pequenas empresas a situações de insolvência, reflectindo já as próprias transformações na procura turística provocadas pela crise global.
Uma outra questão, mas fulcral para a implementação deste e de outros projectos semelhantes no concelho passa pelas acessibilidades, que independente da existência de protocolos de intenções, não me parece que a situação que o país está atravessar leve a concretizar no curto/médio prazo qualquer plano de acessibilidades ao concelho de Sesimbra.
Por outro lado, tão ou mais preocupante, são as disponibilidades hídricas que um projecto desta envergadura envolve, segundo peritos da matéria este projecto necessita de garantir 1085 mil m3/ano para a rega dos campos de golfe e dos espaços verdes e para a manutenção dos lagos, referindo no entanto que poderá reaproveitar as águas residuais considerando uma ocupação média de 80%.
Obviamente, o que passa para a opinião pública é que se trata de um empreendimento turístico com 5 unidades hoteleiras, 7 aldeamentos turísticos e dois campos de golfe, o que seria ouro sobre azul num concelho que neste momento se defronta com uma das mais altas taxas de desemprego da sua história, em que até já existem casais com filhos desempregados. Infelizmente, não podemos garantir é para quando a concretização deste projecto e se não se trata de mais um elefante branco.
Por último apenas três reflexões:
1 – Já que pagamos a uma prestigiada empresa privada um Plano Estratégico de Turismo para o concelho de Sesimbra, porque não ler com atenção esse Plano e implementar as suas sugestões?
2 – Porque estamos a aprovar à pressa um Plano de Pormenor quando estamos em plena revisão do PDM que por acaso até será revisto em baixa?
3 – Já temos um castelo de pedra e cal, não seria melhor deixarmos de construir mais castelos de areia?




Argentina Marques, in Jornal Nova Morada, 20/02/2012